hitler_hatEm 1933 o parlamento alemão concede plenos poderes ao líder em ascensão, Adolph Hitler. A conseqüência dessa ação o mundo inteiro sabe e a Alemanha arrepende-se amargamente até hoje. Mas quem realmente foi este indivíduo capaz de façanhas como impulsionar uma nação inteira com idéias progressistas, porém envoltas em uma couraça de crueldade? Já se preocupou em pensar sobre isso?

A biografia do führer já foi esgarçada, revirada ao avesso, seu lado íntimo-pessoal também foi revelado através da vida de sua mulher Eva Braun, mas ainda não é suficiente para destrinchar essa personalidade mundial.

Para a história foi um opressor, uma máquina de conquistar territórios, um marco como ditador de uma nação em desenvolvimento na época. Para os oprimidos o pai do holocausto, um louco capaz de atos desumanos. Para os grandes Estados uma ameaça ao território e à democracia. Para administração um chefe com espírito de liderança, senão não teria boa parte da adesão da Raça Ariana.

Cada âmbito de análise da figura do líder alemão, não é incoerente ou emocional demais ao ponto de se perder em seu discurso. Sim, ele foi realmente tudo o que se sabe e se afirmou e não teve a pretensão de esconder ou disfarçar. Hitler foi nada mais, nada menos do que um ser humano que não se escondeu ou maqueou seus atos, sua essência. Não venho aqui para humanizá-lo ou engrandecer sua figura de líder, porque, não se espante, o ser humano é capaz das piores atrocidades em prol única e exclusivamente de si. E é isso que está no seu íntimo, no lugar mais obscuro de seu cérebro, é o que aflora sem que você sinta e que a qualquer custo tenta maquear.

Já pensou sob essa ótica?

Ser Tão Humano

Casal_de_retirantes

O ano é 1938 e mais uma vez o sertão é transcrito e literado para os livros. Dessa vez o responsável é Graciliano Ramos que nos apresenta uma atmosfera um pouco mais “HUMANA”, dentro dos limites que o ambiente permite, é claro, do que Euclides da Cunha fez em 1902 com “Os Sertões”.

A paisagem árida, hostil; os sertanejos e até mesmo a problemática social são velhos conhecidos dos leitores. O extraordinário da obra fica por conta do toque humano que está nas entrelinhas.

“A Morte de Baleia”, este capítulo é memorável. Não há aquele que leu “Vidas Secas” que não se lembre ou e não se emocione com um dos poucos personagens,que apesar de ser um cachorro, tem nome no livro. É justamente nessa passagem do livro que Graciliano Ramos nos prega uma peça; ao longo do livro o autor vem humanizando o animal e animalizando o homem, mas há quem diga que é apenas um cachorro sendo um cachorro e por conta disso mais sensível aos intempéries da situação de seca calamitosa. A morte de Baleia é o ápice, o tapa com luva de pelica que nos é reservado e nos desmonta. Choramos por Baleia, mas somos inabaláveis quanto à via crucis da família sertaneja que tenta escapar da seca.

E nada disso é espantoso, afinal não costumamos nos abalar com o sofrimento alheio, pois cada qual sabe a dor que tem carregar. Isso é ser humano. C’est la vie…

O pensamento. A palavra. A escrita. A impressão. O livro. A internet. O VHS. O cd. O dvd. O blueray. O telégrafo. O celular. O homem. A máquina… O branco. O negro. O indio. O norte. O sul. O leste. O oeste. O ocidente. O oriente… A direita(conotativa e denotativa). A esquerda(conotativa e denotativa)… A luz. O escuro. O som. O silêncio… A certeza. A dúvida. O sim. O não. O talvez. O passado. O futuro… O rock. A ópera. O teatro. O cinema. O popular. O elitista. O clássico. O moderno… O início. O fim… A vida. A morte…

P.S: A parte da criação que cabe ao homem tem por natureza superar o antecessor, mas nem sempre isso é via de regra. Complementar e coexistir junto ao que antecedeu significa aperfeiçoar um ciclo evolutivo.

Crise criativa

O que você faria se pudesse viver 200 anos? (processando…)

Intrigante pergunta diria eu, mas nada pensei a respeito. Deparei-me com “a intrigante” numa dessas manhãs sonolentas de segunda-feira, numa aula igualmente lenta. A princípio não me abalei, vai ver pelo ceticismo, vai ver pela falta de idéias às 7:00 da manhã.

As respostas foram das mais variadas, falando desde futuro individual até futuro coletivo, porém limitadas ao umbigo de cada um dos presentes para tristeza da professora, que a cada semestre espera uma resposta tão criativa quanto “criaria uma tartaruga”.

A aula transcorreu sem mais emoções e agora sim resolvi pensar, mas não mais nos 200 anos e sim na falta de criatividade da turma, pontuada pela professora, que reflete na sociedade atual. Mas existe um segmento da produção criativa nacional, que é até premiado aqui e fora do país, a publicidade. Sim, isso é bem verdade, mas ainda assim vejo limitação, pelo menos em certos segmentos de propagandas. Por exemplo, anúncios de cerveja são muito parecidas, a maioria tem gente jovem e bonita ou lindas mulheres apenas como objeto ilustrativo, rapazes fortes e bonitos, textos insinuativos e ambíguos. O que varia é apenas a marca do anunciante.

O déficit em criatividade está na nova formação da sociedade. Não querendo ser pragmática, mas já sendo, esse é um assunto que carece de atenção. O bombardeio de informação e a facilidade na realização de tarefas, por exemplo, deixou o indivíduo moderno mais “sedentário” do que já era. Isso é extremamente visível e bem aceito afinal quem não gosta do fácil? O reflexo disso é um mar de mesmices nas atividades que necessitam de criatividade para se sobressaírem! Contraditório não?!

Pra finalizar esse ciclo vicioso cito mais dois aspectos; o quão comum está se tornando essa falta e como isso tem passado quase despercebido pelo senso crítico comum das pessoas. Outro aspecto seria a crescente falta de perspectiva dos jovens de 1990 inúmeras vezes pontuadas por diferentes analistas e especialistas. Nas décadas de 60 e 70, base de nossa atual identidade social, a efervescência cultural era de altíssimo grau e nível, porque havia pelo o que brigar e mudar e de certa forma essas inquietações sociais estimulam a produção criativa, fato mais do que provado e aprovado pelas “grandes cabeças pensantes” daquela época. Essa comparação tão clichê entre décadas é mais do que pertinente quando o assunto é produção cultural, comunicação e artes, mas apesar de tanto bater na mesma tecla, hoje o que falta é amor à camisa, vontade de mudar e produzir mudanças, afinal, não há mais o que mudar o que tinha para ser mudado já foi mudado, mas será que não mais nada a ser mudado?

Manoel Castells sociólogo e professor de comunicação espanhol em seu livro “A Era da Informação Volume 3”, destrincha a atual sociedade moderna em sua composição quanto indivíduo e mão-de-obra que exerce. Castells mostra que o tipo de mão-de-obra também é fator determinante do lugar do indivíduo na sociedade. A mão-de-obra dividi-se em autoprogramável, que é o indivíduo que tem acesso à educação e, portanto é mais bem qualificado e adapta-se facilmente a qualquer tipo de função. A mão-de-obra genérica é o oposto da autoprogramável, com o agravante de ser facilmente substituível. Após definir as categorias de trabalhadores, os próximos a serem desdobrados são os níveis de capitalistas. 1º nível pertence aos detentores do “poder”, acionista e grupos de empresários. 2º nível os administradores, que são os que realmente controlam os bens de capital e procuram sempre maximizá-los. 3º e último nível é mercado financeiro global, que reuni todas as fontes de capital convergindo para maior lucratividade.

Apenas o 2º nível aqui interessa, sintetiza e inclui a parcela “humana” do mercado e os demais níveis. Os Adms fazem parte dos autoprogramáveis e estão em ascensão, devido à sua inegável qualificação, tino para negócios, raciocínio rápido e caceteiro.

Essa ascensão pode explicar, uma parte pelo menos, desta crise criativa, uma vez que tudo que exige gestão precisa de administradores e esses, por sua vez, desempenham seu trabalho excessivamente bem. Contudo, quando a questão é cultura o excesso no tino para negócios pode melar o um melodioso trabalho artístico. Em alguns casos o conteúdo chega a ser diretamente comprometido com tanto executivo nos “bastidores”, por exemplo, o cinema. Quais filmes têm mais visibilidade no mercado? Os americanos, que é onde se concentra um dos maiores “conglomerado” de produção audiovisual do mundo. Por conta disso as atuais produções cinematográficas nada, ou muito pouco, têm de realmente novo a mostrar. As películas são na maioria dos casos grandes shows pirotécnicos, refilmagens ou baseados em livros, quadrinhos e séries.

Depois de todo esse passeio pela minha livre associação de idéias frustrei-me em concluir que tudo em excesso é sobra e de sobra ninguém gosta. Sei que não há nada de novo nisso, mas me garanto que não paro por aqui…